Contradições do Plantio Direito

Nossa opinião:

O plantio direto, vindo com o slogan de “sustentabilidade” no campo, vem causando, comprovadamente, diversos impactos a natureza e as pessoas. O aumento da produtividade é conseguida ao custo do aumento expressivo do consumo de agrotóxicos e uso intensivo de fertilizantes químicos e maquinário pesado, o que acarreta maior poluição ambiental, problemas de saúde, concentração de mercado (capital) na mão de poucas empresas que dominam a produção deste insumos, entre outros. Neste cenário, a relativa proteção proporcionada pela cobertura da palhada sobre o solo é ilusória. Nesta notícia ainda percebe-se a tendência de maior homogeneização no campo com o fim da rotação de culturas, prática que ameniza, embora muito pouco, os impactos da monocultura intensiva.

Para concluir, percebe-se a venda de uma falsa ideia para a população. Soluções verdadeiras para os impactos do agronegócio só podem ser alcançadas com o uso da agroecologia, fortalecimento da agricultura familiar, reforma agrária, igualdade e justiça no campo.

Leia a notícia e perceba que “nem tudo são flores” como dito abaixo..
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Por José Rocher e Igor Castanho, da Gazeta do Povo Online

Plantar sem ter de capinar ou arar a terra foi um sonho distante para a agricultura brasileira durante décadas. Para desinçar a terra, o setor atacou bancos de sementes de ervas daninhas com máquinas e herbicidas e estruturou o plantio direto (grifo nosso). Desde a fundação da Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha (FBPDP), exatos 40 anos se passaram.

Nesse período – com menor pressão do mato, maior concentração da matéria orgânica da palhada, menos erosão e mais umidade no solo –, a agricultura quadruplicou a produção e está prestes a chegar às 185 milhões de toneladas de grãos em 2012/13 – marca que, segundo estudo publicado pelo Ministério de Agricultura há dois anos, só seria atingida em 2020.

Nas últimas quatro décadas, a colheita brasileira cresceu principalmente pelo aumento da produtividade (grifo nosso), que hoje é três vezes maior, chegando a 3,46 mil quilos por hectare. Mas de onde veio esse avanço pode vir mais. O potencial da tecnologia do Plantio Direto na Palha (PDP) ainda é subaproveitado, mostrou a discussão que deu largada às viagens da fase colheita da Expedição Safra Gazeta do Povo, na última semana.

O lançamento da série de viagens do projeto por 14 estados ocorreu numa fazenda considerada marco zero do PDP no Brasil, a Agripastos, de Palmeira (PR), que pertence ao pioneiro nessa tecnologia Manoel Henrique Pereira. Para a surpresa dos 50 produtores, técnicos e autoridades que participaram, Nonô Pereira contou que todos estavam diante de uma área onde ele planta soja todo verão há três décadas. Fez todos se questionarem sobre como o plantio direto pode dispensar a rotação de culturas, prática comprovadamente essencial para o controle de insetos, ervas daninhas e doenças (grifo nosso).

“Essa questão é um tema técnico-científico pronto para se discutir. Ficar repetindo soja aumenta, principalmente, o risco de doenças na raiz e reduz a produtividade” (grifo nosso), disse Nonô Pereira, diante da lavoura que deve render 60 sacas por hectare – 10 sacas a mais do que a média nacional. Na última semana, ele fez plantio de feijão sobre feijão. “Temos experiência de 18 anos de trigo sobre trigo”, emendou José Bento Germano, proprietário da Fazenda Mutuca, de Arapoti (PR), referência nacional de produtividade.

As contradições que surgem dos resultados do plantio direto ampliam a colheita e ainda vão dar muito trabalho aos pesquisadores. O desafio é não só esclarecer esses fenômenos, mas apontar as soluções que a agricultura usará daqui dez anos, disse o presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Florindo Dalberto, que também participou do encontro.

Com o auxílio de tecnologias como o PDP, as metas do setor vêm sendo atropeladas pelo crescimento da produtividade. O Ministério da Agricultura projetou aumento de 22% na produção de soja, milho, trigo, arroz e feijão nesta década, que passaria de 144 milhões (2010/11) para 176 milhões de toneladas (2020/21). Já na temporada atual devem ser atingidas 174,5 milhões de toneladas nessas cinco culturas, uma evolução de 20% puxada pelo milho e, principalmente, pela soja, que deve passar de 82 milhões de toneladas.

Isso tudo “economizando’ mais de 10 milhões de hecta­­­res. A previsão oficial era que seria preciso cultivar 68 milhões hectares para se chegar ao resultado esperado em 2020/21, mas a área de grãos se expandiu somente (grifo nosso) a 52 milhões de hectares até agora

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