Argentina: Campanha nacional contra os agrotóxicos é lançada nesta segunda-feira

 

Em outra frente está a proposta pela soberania alimentar, com o objetivo de respeitar os costumes e os direitos dos povos.
  


Por Rogéria Araújo – Adital

Dados científicos comprovam os danos causados pelo uso abusivo de substâncias agrotóxicas. Na Argentina, em Cordóba, uma campanha lançada hoje (6) pela manhã chamou a atenção para o risco desses produtos empregados em lavouras e para a importância de mobilização dos moradores das áreas atingidas pelas fumigações e da sociedade em geral, que termina consumindo alimentos que estão longe de ser saudáveis.

A “Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e Pela Vida” foi lançada na Universidade Nacional de Córdoba, numa coletiva de imprensa, e faz parte de uma ação continental levada à frente pela Cloc-Via Campesina e outras organizações que combatem o problema. Um estudo divulgado pelo coletivo Médico de Povos Fumigados, no começo deste ano, revelou que o aumento de substâncias como o glifosato, por exemplo, aumentou significativamente no país. Se em 1990 eram utilizados cerca de 30 milhões de litros de agrotóxicos, atualmente se utilizam mais de 340 milhões de litros.

Para a organização da Campanha, é claro que a questão dos agrotóxicos está diretamente ligada ao atual modelo capitalista que explora cada vez mais os campos argentinos, consolidando o agronegócio e colocando as pessoas abaixo dos interesses das grandes empresas. “Esta é uma campanha permanente de formação, mobilização e luta com o objetivo de colocar em marcha uma maior coordenação na ampla batalha contra o atual modelo capitalista da agricultura, baseado no agronegócio e no saque de nossos bens naturais. Praticar uma agricultura sem a dependência dos agrotóxicos é uma tarefa histórica de recuperação da agricultura camponesa de forma responsável com o planeta e com as futuras gerações”, diz a convocatória.

A Campanha enfatiza, ainda, que o uso indiscriminado de agrotóxicos não tem seu efeito somente no campo, uma vez que se trata de um tema ambiental e de saúde pública. Doenças respiratórias, má formação fetal, diferentes tipos de cânceres estão entres os principais prejuízos causados à saúde. Por isso, a iniciativa se centra em duas frentes. Uma delas é a denúncia. Denunciar o modelo empresarial que está acabando com métodos tradicionais e originários da agricultura, comprometendo o bem-estar de milhares de pessoas, é a raiz para uma mudança positiva, pois experiências como a agricultura familiar e a agroecologia estão aí para mostrar que outro modelo de desenvolvimento agrário é possível.

Em outra frente está a proposta pela soberania alimentar, com o objetivo de respeitar os costumes e os direitos dos povos que, de fato, deveriam ser responsáveis pela escolha do que vão consumir e não obedecerem a uma lógica de mercado imposta, inclusive, com aval de governos que cedem aos mandos das grandes empresas. “Levamos em nosso país muitos anos de lutas e resistências, estamos convencidos que este é um momento estratégico para conseguir uma maior unidade das lutas do campo e da cidade para enfrentar este modelo de agricultura que atenta contra a vida dos povos e do planeta”, afirmaram as entidades organizadoras.

Na prática, a Campanha já começou. Neste final de semana, os/as delegados se reuniram e decidiram se distribuir em ações nos seguintes eixos: sistema produtivo, soberania alimentar, Jurídico/Institucional, Saúde, Formação, Pesquisa, Comunicação/Divulgação, Articulação e Estrutura de Coordenação.

Adital/EcoAgência 

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