E no Congresso Nacional, representantes do agronegócio debatem sobre agricultura “sustentável”: piada ou maldade?

No dia 28 de junho, representantes de diversos segmentos do agronegócio se encontram em Brasília para o evento: “Fórum Nacional de Agronegócios – Boas Práticas de Produção, Estímulo à Indústria Nacional: Pós Rio + 20”.

Não houve um orador que não tenha falado uma destas palavras: sustentável, sustentabilidade, responsabilidade socioambiental e meio ambiente. Sinal de que as coisas estão mudando? Pura ilusão. Se pintar verde é a máxima dos dias atuais.. Você não precisa ser verdadeiramente sustentável, só basta parecer que é..

Prezados(as) leitores(as), como pode um setor baseado no latifúndio, monocultura, maquinaria pesada, insumos químicos e concentração de renda e poder ser sustentável? Como pode um setor que causa conflitos no campo, mortes, trabalho escravo, degradação e desastres ambientais, êxodo rural, inchamento das cidades e desigualdade social ser sustentável?

Veja abaixo a matéria publicada no Portal Fator Brasil (os grifos são nossos).

Abraços indignados,

Campanha DF

Representantes de diversos segmentos do setor debateram no dia 28 de junho (quinta-feira), as boas práticas de produção em fórum nacional realizado no Senado Federal.

A primeira edição do Fórum Nacional de Agronegócios – Boas Práticas de Produção, Estímulo à Indústria Nacional: Pós Rio + 20, realizada na manhã desta terça-feira, promoveu um debate intersetorial e multidisciplinar sobre as atuações imprescindíveis ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro. O evento reuniu diversos segmentos do setor, que foram consensuais em reafirmar a importância das empresas agrícolas nacionais atuarem de forma sustentável, não apenas com vistas à tese ambiental, mas como atitude indispensável para estarem em constante expansão no mercado. Na manhã do evento, o setor agrícola recebeu mais uma boa notícia. No Palácio do Planalto, a presidente Dilma lançou o Plano Agrícola, que destinará para o setor na safra de 2012 e 2013 R$ 115,2 bilhões, visando o fortalecimento do mercado agropecuário interno.

O fórum contou com um público presencial de cerca de 200 pessoas e pôde ser conferido ao vivo através vídeo conferência, por 91 Assembléias Legislativas, e vídeo streaming, via site do Interlegis. As atividades, que se dividiram em dois ciclos de palestras, foram moderadas pelo coordenador geral de Agrotóxicos e Afins da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Rangel, membro titular do Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos.

Presidente do Instituto Brasileiro de Ação Responsável, Clementina Moreira Alves deu as boas-vindas ao público do fórum, ressaltando sua satisfação em abordar o tema agronegócio dentro do Programa Ação Responsável, que neste ano completa 13 anos de existência. Para Clementina, o agronegócio sustentável nunca foi tão valorizado como no momento atual, sobretudo, após a conferência mundial realizada no Rio de Janeiro. “Tenho certeza que ninguém saiu imune da Rio +20”, salientou.

Ricardo Cavalcante, diretor de Programas da Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA, abriu o primeiro ciclo de palestras. Na ocasião, citou a necessidade do compartilhamento de responsabilidades entre todos os elementos da cadeia produtiva no setor, bem como, a competitividade agropecuária do Brasil internacionalmente. “Temos que ter a melhor defesa agropecuária do planeta”, enfatizou Cavalcante ao lembrar a previsão de evolução do setor para o patamar de líder mundial até 2020.

Na oportunidade, o presidente do Grupo OuroFino, Dolivar Coraucci Neto, elogiou a iniciativa do Instituto Brasileiro de Ação Responsável em unir Governoe iniciativa privada em busca da eficiência no setor de agronegócio, bem como, destacou a diversidade natural do Brasil como fator favorável à sustentabilidade. “O agronegócio representa ¼ do PIB anual, com 200 milhões de cabeça de gado, junto a 402 milhões de hectares agrícolas, além da maior quantidade de água do mundo”, destacou. Dolivar finalizou destacando a sustentabilidade como pilar do agronegócio: “na produção sustentável, precisamos estar atentos a toda a cadeia de insumos, para então complementarmos nosso sistema de qualidade. Responsabilidade socioambiental precisa estar nas veias de todos os processos. Precisamos pagar essa conta, que fica fácil de acertar através das boas práticas de fabricação”, ponderou.

Maria de Lourdes Fustaino, diretora de Desenvolvimento e Registro de Produtos da FMC Agrícola se disse orgulhosa em participar do evento, representando a empresa na qual atua há 30 anos. “Pude vivenciar a evolução da agricultura bem de perto. No início, a empresa gerava cerca de U$ 6 milhões ao ano, hoje já são U$ 600 milhões”, comemorou. Ao final de sua participação no evento, chamou atenção para o debate sobre os incentivos ao pequeno agricultor. “Somos o país das grandes produções de soja, feijão, algodão, mas também somos o país do hortifrúti, do pequeno produtor, por isso precisamos retomar esse debate”.

Willi Nass, vice-presidente de Infraestrutura e Serviços Técnicos da Basf, na América Latina, explanou sobre as boas práticas da produção agrícola – da escolha do transporte aos cuidados básicos para se evitar a contaminação pluvial.Toda prática agrícola gera efluente, mas é preciso evitar emanações desnecessárias, assim precisamos de tecnologia de ponta, como catalizadores para a transformação de efluentes em gases sem impacto, a exemplo dos gases nitrosos em nitrogênio”. Nass citou, ainda, o problema dos resíduos sólidos, tema de constante preocupação da Basf, que, inclusive, está à frente da Fundação Espaço Eco – empresa sem fins lucrativos que conta com parcerias -, um centro de excelência em gestão de educação para a sustentabilidade.

Participante do segundo ciclo de palestras, o coordenador executivo da Frente Parlamentar da Agropecuária na Câmara dos Deputados, João Henrique Vieira apresentou as atividades da frente sob a ótica do Congresso Nacional e criticou a cultura de leis no setor, criadas, segundo ele, num contexto autoritário. “Não temos que medir o prazo de uma legislação, mas qual o nível de debate e onde ele deve acontecer, ou seja, dentro do Congresso Nacional”, completou, ressaltando a falta de objetividade na legislação do agronegócio. “Ela dá tanta autônima aos agentes de fiscalização que traz mais insegurança no processo”, completou.

Para a coordenadora-geral da Diretoria de Patentes do INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial -, Liane Caldeira Lage, é importante haver uma mudança geral em toda a sociedade. “Se é preciso mudar o Estado, o Estado somos nós. Vivemos um momento único no país e precisamos aproveitar isso para melhorar cada vez mais. Esse momento é histórico, onde a inovação é parte essencial do desenvolvimento”, enfatizou.

Representante da Embrapa no evento, Maurício Antônio Lopes centrou sua apresentação na afirmativa de que o Brasil já começou um grande desafio ao caminhar na direção da sustentabilidade – com seus riscos e possibilidades – ao longo dos últimos 40 anos. “Chega-se a conclusão de que nenhum país fez o que o Brasil fez. Tornou-se um grande fornecedor de alimentos no mundo. É uma conquista, que muito nos orgulhamos”, lembrou, sem esquecer do futuro: “nos próximos 50 anos, os grandes desafios da humanidade serão a água, a terra, o meio ambiente e o agronegócio está intimamente ligado a tudo isso”.

O sistema Campo Limpo, programa desenvolvido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) também foi apresentado na oportunidade, pelo diretor-presidente da entidade, João Cesar Rando. O sistema, criado em 1991, com a preocupação ambiental acerca da destinação adequada das embalagens vazias de agrotóxicos, de forma pioneira no Brasil, trata do pós-consumo de defensivos agrícolas. “De 2002 a 2010 o programa Campo Limpo contribuiu grandemente para uma agricultura sustentável. O sistema, que pertence à sociedade brasileira, distribuiu a responsabilidade compartilhada dentro da cadeia produtiva na área do agronegócio” citou.

No encerramento do evento, Enio Marques Pereira, secretário de Defesa Agropecuária do MAPA, falou do plano agrícola para a nova safra (2012/2013), anunciado hoje, pela presidente Dilma Rosseff – que prevê o fortalecimento do setor. Em primeira mão, contou aos presentes sobre o anúncio do mecanismo que retoma a assistência técnica na extensão rural no país. Além disso, lembrou: “o sistema da agricultura sempre foi inovador no Brasil”. Na ocasião, ressaltou a importância da atuação do Ministério da Agricultura na gestão do setor agrícola. “acredito que passo a passo poderemos aprimorar o setor de agronegócios” finalizou.

 

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