Via Campesina: Globalização da luta contra os agrotóxicos

Alguma coisa boa aconteceu nos arredores da Rio+20…

A Via Campesina realizou  no dia 19 de junho um encontro da Campanha Continental contra os agrotóxicos dentro da Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro, Brasil. O objetivo foi socializar as experiências dos países em sua luta contra estes venenos e articular um espaço a nível internacional que recolha as iniciativas já em construção.

O V Congresso da CLOC – Via Campesina, realizado em Quito, Equador, em 2010, decidiu lançar uma campanha continental contra os agrotóxicos e pela vida. Dentro dos objetivos da campanha está a luta contra as transnacionais dos venenos e a erradicação dos agrotóxicos e a promoção de uma agricultura baseada na agroecologia.

“Vendo minha terra”

Os participantes dos diversos países expuseram a situação da luta contra os venenos em seus países. Silvia Rodríguez, de Conamuri, Paraguai, ressaltou como um problema comum, os incentivos dos próprios governos ao uso dos agrotóxicos. Além disso, a utilização dos químicos vem causando a perda da fertilidade da terra, o que tem levado muitos campesinos e campesinas a abandonarem suas propriedades. “Na região de Caaguazu, são vistas muitas placas que dizem: Vendo minha terra. Já não conseguem produzir mais nada e seus animais são muito prejudicados. Principalmente, quando pulverizam, o vento espalha os agrotóxicos e as frutas amanhecem todas mortas”.

Outro ponto abordado foram os transgênicos. Os representantes do México explicaram que sua principal luta é pela preservação da biodiversidade, sobretudo no caso do milho. A cultura mexicana realiza polinização cruzada pelo ar e por isso os cultivos de transgênicos podem contaminar o milho nativo, uma tradição milenar.

Por outro lado, os representantes brasileiros alertaram que o Brasil está pronto para aprovar cultivos resistentes a 2,4 D, um dos herbicidas mais tóxicos existentes. Neste sentido, a luta contra os transgênicos acaba se dissociada. Vale ressaltar que a liberação das variedades existentes a 2,4 D impulsione o uso deste agrotóxico, que é o princípio ativo do agente naranja, utilizado na guerra do Vietnã.

Agroecologia, um caminho comum

Para as organizações da CLOC – VC o caminho é a agroecologia, é um modelo de desenvolvimento do campo que respeita o agricultor e garante a soberania alimentar dos povos. Neste sentido, Cuba tem um papel fundamental na formação de militantes latino-americanos. Além disso, o Paraguai está formando técnicos em agroecologia em Cuba para trazer experiência.

Os equatorianos ressaltaram a importância da atuação no campo do consumo, “é importante que seja esclarecido de onde vêm os produtos”. A legislação equatoriana já aprovou uma lei de Economia Popular e Solidária, que atua na priorização das compras a pequenos produtores. “No lugar de pagar as grandes empresas, pagamos aos companheiros e companheiras”.

Neste intercâmbio de experiências, os agrotóxicos e transgênicos foram identificados como uma problemática perigosa. Em todos os países da América Latina, a agroecologia não só é uma alternativa política, ambiental e social, mas garante uma produção de alimentos saudáveis.

Neste sentido, o caminho agora segue pela construção de uma campanha internacional que possa potencializar as experiências locais e dar força a uma luta contra os agrotóxicos.

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Agroecologia, Agronegócio, Agrotóxicos, Nos estados e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s