Consea declara endurecer postura contra uso de agrotóxicos no País

Flavia Bernardes
Foto capa: Arquivo Século Diário

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) declara endurecer a luta contra o uso indiscriminado de agrotóxicos e os transgênicos no País. A expectativa vem da posse da nova presidente, a antropóloga Maria Emília Pacheco, que criticou a posição do Brasil entre os maiores consumidores de venenos agrícolas do mundo, bem como de transgênicos. “O caminho percorrido historicamente pelo Brasil, com seu modelo atual de produção, nos levou ao lugar do qual não nos orgulhamos”, enfatizou.

Para combater esse quadro, ela ressalta que é necessário adotar novos objetivos ordenadores da estratégia de desenvolvimento, que não deixem de lado a soberania e a segurança alimentar e nutricional do País. Segundo ela, essa perspectiva ainda não está incorporada ao atual Plano Plurianual.

A antropóloga entende que o grande consumo de agrotóxico no Brasil é um reflexo da livre atuação das grandes corporações, apoiada pela publicidade de alimentos, que possui como alvo, inclusive, crianças. Com esta postura, a presidente acredita que o País vem contribuindo de forma nociva para a segurança alimentar e nutricional e também para fenômenos preocupantes como o avanço do sobrepeso, da obesidade e das doenças crônicas não-transmissíveis.

O problema dos agrotóxicos e transgênicos é evidente também para a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), que coordena um dossiê sobre as evidências científicas existentes sobre os impactos do uso agrotóxico na saúde humana e nos ecossistemas. O documento deverá será lançado no Congresso Mundial de Nutrição e na Rio+20, no Rio de Janeiro.

Segundo a Abrasco, o objetivo é sensibilizar, por meio de provas, as autoridades públicas nacionais e internacionais sobre os impactos negativos dos agrotóxicos no planeta.

Tais impactos, diz a entidade, são resultados do atual modelo de desenvolvimento, voltado prioritariamente para a produção de bens primários para exportação.

Orgânicos

Só no Espírito Santo, o consumo dos alimentos orgânicos, livres de venenos, cresce de 20% a 30% ao ano, apesar dos problemas que dificultam a comercialização do produto, como a certificação de propriedades.  A informação é que apenas 140 propriedades orgânicas possuem certificação no Espírito Santo.

Oficialmente são produzidos pelo Estado cem toneladas/mês de orelicultura e mil toneladas de frutas, entre elas banana, morango, mamão e citrus, e quatro mil sacas de café beneficiado, sem a utilização de agrotóxico.

Além disso, há cerca de 500 famílias, que apesar de não certificadas, estão no processo de produção de alimentos orgânicos ou conversão da agricultura convencional para a natural no Estado.

O desafio, porém, é driblar atravessadores e produtores que insistem em não abrir mão de hábitos nocivos, tanto à sua família quanto ao consumidor externo.

Apesar da crescente demanda orgânica no Estado, em 2010, o Estado do se destacou no ranking da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dentro dos dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para), que revelaram teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e uso de agrotóxicos não autorizados.

Dentro do total pesquisado no mercado capixaba, 27,4% dos alimentos se encontram com teor de contaminação, com base na pesquisa, realizada com informações levantadas em 2010. Pimentão, pepino e alface registraram os índices mais insatisfatórios.

Original: http://www.seculodiario.com.br/exibir_not.asp?id=61752

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