Não é possível convivência do agronegócio com a agroecologia

Portogente

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) diz que o agronegócio respeita o meio ambiente e é contra o desmatamento ilegal na Amazônia. No entanto, o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, Daniel Tygel, em entrevista ao Instituto Humanista Unisinos, declara que “não é possível o convívio do agronegócio, dos transgênicos e dos agrotóxicos com a agroecologia”.

Tygel explica que a sua sentença contra o agronegócio brasileiro é porque não é possível o convívio de um modelo de desenvolvimento capitalista com as redes e cadeias de produção, comercialização e consumo solidários. “A agroecologia e a economia solidária trazem em seu seio os germes de uma sociedade onde a cooperação e a vida estão acima da competição e do lucro. O agronegócio, as corporações e o mercado financeiro se orientam pelos interesses econômicos de algumas poucas e influentes famílias e grupos empresariais ou de acionistas”.

Na mesma entrevista, Daniel Tygel explica que o consumo consciente e responsável acontece quando quem consome passa a desnaturalizar o ato de consumir e percebe que este ato é fazer um investimento numa determinada forma de produzir, num modelo de sociedade, e não é, de forma alguma, definido simplesmente pela vontade e pelo gosto de cada um e cada uma. É, portanto, um ato político e de investimento econômico.

“Frequentemente”, observa, “confunde-se o consumo consciente e responsável a certos dogmas do politicamente correto e das boas práticas: “jogue o lixo no lixo”, “não use descartáveis”, “mantenha a torneira da pia fechada”, etc. Não é assim que o vemos. Para nós, o consumo responsável significa ter um olhar constantemente curioso sobre o mundo, sobre a forma como e em que condições cada produto é fabricado, sobre a maneira como as lojas, feiras e supermercados funcionam”.

Ele orienta que, para ser um consumir responsável, basta ser curioso sobre o mundo e se perguntar: “será que este produto que vou consumir, ou este supermercado em que vou entrar, tem uma história e uma forma de funcionamento que vão de acordo com valores como a preservação ambiental, a justiça social, a equidade e autonomia de gênero, raça e etnia?”.

Original em: http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=57133

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