ASA – Campanha contra agrótoxicos é lançada em Juazeiro com apoio da sociedade

Com informações do Irpaa e da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Juazeiro – BA
02/08/2011
Campanha para mobilizar a sociedade e proibir o uso de agrotóxico na agricultura.

Cerca de 130 pessoas de mais de 20 organizações, envolvendo movimentos sociais do campo e da cidade, sindicatos, entidades estudantis, ambientalistas, se reuniram na última sexta-feira (29), na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Juazeiro (BA), para lançar o Comitê Regional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Após debate, os participantes fizeram uma caminhada pelas ruais centrais de Juazeiro e distribuiram material informativo que denuncia os males dos agrotóxicos para a saúde. Em vários momentos, a iniciativa foi aplaudida pelos transeuntes, como demonstração de apoio.

A proposta do Comitê do Vale do São Francisco é potencializar o debate com a sociedade e juntar o máximo de pessoas e organizações para somar forças em prol da proibição do uso de agrotóxicos. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Agrícolas, Agroindustriais e Agropecuárias (Sintagro), Domingos Rocha, a campanha impulsionará os movimentos sociais a discutirem a importância de uma agricultura com práticas saudáveis. “Essa campanha nos ajudará a pressionar o poder público municipal, estadual e federal na luta pela fiscalização do uso indiscriminado de agrotóxicos na região do Vale do São Francisco”, comentou.

O Vale do São Francisco é uma região com muita utilização de veneno nos monocultivos de frutas para exportação. O lançamento da campanha foi feito durante a Feira Nacional de Agricultura Irrigada (Fenagri), apoiada pelas empresas do agronegócio. O ato é uma forma de protesto e alerta a sociedade, pois são essas empresas que descarregam quantidades exorbitantes de agrotóxicos nas lavouras e assim contaminam a terra, a água, o ar, as plantas e prejudicam de forma direta ou indireta as pessoas.

Segundo Aristóteles Cardona Júnior, médico e militante da Consulta Popular, “são estas empresas as responsáveis pela contaminação das pessoas e do meio ambiente, no entanto é todo o conjunto da sociedade que paga os prejuízos, pois em especial a saúde das pessoas é prejudicada seja pelo consumo de alimentos contaminados, ou pelo contato direto com os venenos no processo de sua aplicação. Os agrotóxicos não são mais um problema dos camponeses e agricultores familiares, mas já se tornaram um problema de saúde pública”

Na abertura da atividade, Elizete Carvalho Fagundes da Via Campesina, destacou que “o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, pois só ano de 2009 foram jogados cerca de um bilhão de litros de agrotóxicos nas lavouras, isso equivale a cerca de 5,2 litros de agrotóxico por pessoa por ano.”

Durante a mesa de debate Cleber Folgado da coordenação nacional da campanha destacou o histórico dos agrotóxicos e a sua periculosidade. “Os agrotóxicos são restos das armas químicas produzidos durante a segunda guerra mundial para matar pessoas e as florestas, e que com fim da guerra são adaptados para agricultura, de forma que não podemos ter dúvidas que agrotóxicos são venenos feitos para matar e que hoje são usados de forma absurda sobre a agricultura afetando diretamente a saúde daqueles que pela aplicação ou pelo consumo de alimentos contaminados entram em contato com os agrotóxicos”

O professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Paulo Augusto da Costa Pinto, doutor em solos e nutrição de plantas e pós-doutorado na Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, destacou a necessidade da sociedade romper com a dependência dos agrotóxicos “A sociedade está se envenenando e, o pior de tudo, é que isso tem sido feito pela alimentação. Necessitamos urgentemente romper com a dependência da produção com o uso de agrotóxicos, pois nos impuseram este modelo de morte, e hoje temos a necessidade juntar as forças do campo e da cidade para construir novo modelo de produção, por que agrotóxico matam”

A estudante de psicologia e presidente do DCE-Univasf, Sarah Fonseca, destacou a necessidade de colocar este debate para dentro da universidade “Precisamos qualificar e levar o debate sobre a problemática causada pelos agrotóxico para dentro da universidade, pois é um espaço de formação de opinião, e onde deve-se aproveitar do conhecimento cientifico para explicitar todo o mal causado pelos agrotóxicos à sociedade”

O lançamento também contou com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), representada por Jaime Badeca que destacou o apoio da entidade nesta causa. “Podem contar com a OAB, pois já se torna inadmissível e inaceitável a utilização de agrotóxicos, e terão todo o nosso apoio para essa causa”

Houve vários testemunhos de pessoas que já foram intoxicadas ou que conheceram pessoas que a partir da contaminação com agrotóxicos chegaram à morte.

O e-mail para contato com a Secretaria Operativa do Comitê local é: contraosagrotoxicosdovale@gmail.com

 

Link direto em: http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=6848

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