Brasil de Fato – Respirar enquanto é possível

Adiamento da votação atormenta ruralistas e dá mais tempo para ações contra o trator do agronegócio.

 Por Vinicius Mansur, de Brasília (DF)

O terceiro adiamento, pela Câmara dos Deputados, da votação da reforma do Código Florestal, nesta quarta-feira (11), retardou o término da novela que, desde o início, prometia desfecho infeliz. Entretanto, agora, a angústia assenta base no solo da bancada ruralista e de toda cadeia oriunda do poder do agronegócio.

Além de sucessivos adiamentos, a retirada de alguns pontos do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) – provocadas pela negociação com governo federal, e a aproximação do dia 11 junho – quando entra em vigor o decreto com multas a desmatadores – alteraram o humor dos propositores do novo Código.

“Há uma insatisfação generalizada. A intransigência, a soberba e a arrogância do governo estão mexendo com os brios dos deputados”, disse o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), presidente da Frente Parlamentar de Agricultura.

“Isso nos leva a ter vergonha do que está acontecendo, diante da interferência do Poder Executivo no Congresso Nacional”, afirmou o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez.

Não por acaso, partiu do principal articulador do novo Código a mais desequilibrada das reações. Beirando o desespero, Aldo Rebelo usou a tribuna do plenário para responder à mensagem, no Twitter, da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que o acusava de por pegadinhas no texto minutos antes da votação:

“Quem fraudou, quem contrabandeou madeira, foi o marido da [ex] senadora”, confessando em seguida que, à época, era líder do governo e atuou para impedir que o marido de Marina fosse depor na Câmara. Em entrevista à rádio CBN, no dia seguinte, Rebelo afirmou não ter acobertado Fábio Vaz de Lima, marido de Marina.

Reação contra trator do agronegócio

Com o adiamento da votação, os opositores ao relatório de Aldo Rebelo ganharam novo fôlego para reagir. Devido ao comportamento apresentado pelo deputado, organizações ambientalistas lançaram nesta quinta-feira (12) um abaixo-assinado pedindo a sua destituição da relatoria da matéria.

De acordo com o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Batista, “o adiamento é só mais uma prova do problema que significa este projeto e também uma vitória que nos permite mais tempo para debater com a sociedade”. Segundo Batista, movimentos sociais estudam a realização de uma nova mobilização em Brasília contra a reforma do Código.

Para maior subsídio ao debate e para evitar a utilização indevida de seus nomes, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgaram hoje as respostas para as dúvidas mais frequentes sobre a posição das entidades em relação ao tema. O documento afirma a necessidade de se mudar o Código Florestal, entretanto diz que “muitos dos problemas e inconsistências detectados permanecem inalterados no substitutivo do Deputado Aldo Rebelo”. Para SBPC e ABC “é interesse da Nação que se dê mais tempo para que ciência e a tecnologia – já disponíveis e ainda não utilizadas – possam contribuir”.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) comemorou a adesão do governo ao requerimento de seu partido – que pedia adiamento da votação – e disse que é preciso pressão: “É preciso fazer barulho e pedir, em última instância, que a Presidenta Dilma cumpra sua promessa de campanha e não permita a aprovação de nenhum projeto que libere o desmatamento de nossas florestas”.

Segundo o deputado Valmir Assunção (PT-BA), a bancada petista deve esperar o melhor momento para a votação, de modo a garantir, ao menos, as modificações no texto já conseguidas pelo governo. “O que nós construímos até aqui não dá pra retroceder”, pontuou.

Cenas do próximo capítulo

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), reconheceu que o clima para votar o Código Florestal “esfriou” e disse que o Planalto não trabalha mais com prazo para votar a matéria. Vaccarezza lembrou que a matéria não poderá ser votada na próxima semana porque os principais líderes partidários da base aliada estão em viagem pela Coréia do Sul. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB) endossou tal posição.

Link direto em: http://www.brasildefato.com.br/node/6314

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