Trabalhadores rurais, atingidos por barragens, agricultores familiares e ambientalistas marcham na Esplanada na quinta-feira

Na próxima quinta-feira (7/4), Dia Mundial da Saúde, movimentos sociais e organizações ambientalistas realizam uma marcha em Brasília para lançar a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida e protestar contra o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do Código Florestal, que é apoiado pelos ruralistas. A mobilização também defende a Reforma Agrária e reivindica um projeto energético popular.

A marcha sairá do pavilhão de exposições do Parque da Cidade, às 7h, local onde acontece o Encontro Nacional das Mulheres Atingidas por Barragens. A previsão é que chegue às 9h à frente do Congresso Nacional, onde ocorrerá um ato público. Haverá atos também em frente ao Ministério de Agricultura e do Ministério de Minas e Energia.

A manifestação reúne entidades como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, SOS Mata Atlântica, Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), entre outros.

A mobilização torna pública a posição de trabalhadores e trabalhadoras rurais, agricultores e agricultoras familiares contra as propostas ruralistas de alteração do Código Florestal. Marca ainda a formação de um grande arco de alianças entre movimentos sociais do campo e da cidade e organizações ambientalistas em favor de uma agricultura que conviva de forma responsável com o meio ambiente.

Às 9h30, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados promove uma audiência pública sobre agrotóxicos. O evento ocorre no plenário 7 do Anexo II. Foram convidados representantes da Via Campesina e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) .

 

Sobre a Campanha

 

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida reúne movimentos sociais, entidades estudantis e sindicatos em defesa do direito à alimentação saudável para todos, da saúde e qualidade de vida do trabalhador e de um meio ambiente equilibrado. A ideia é alertar a sociedade para o uso indiscriminado de defensivos agrícolas. O Brasil é o maior consumidor mundial dessas substâncias: cerca de um bilhão de litros foram utilizados no País em 2009 – uma média de 5 litros por pessoa.

A campanha defende um novo modelo agrícola que valorize a agricultura familiar e viabilize o desmatamento zero; permita o acesso a tecnologias que utilizem menos agrotóxicos, como os sistemas agroecológicos; gere renda e trabalho para a população rural. Para isso, a Reforma Agrária é política fundamental.

Todos os anos multiplicam-se casos de contaminação no campo por agrotóxicos.  Pesquisas vêm apontando as graves consequências dessa contaminação para o meio ambiente e a saúde humana. Ela pode causar problemas como câncer, distúrbios hormonais e neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças de pele, diarréia, vômitos, desmaio, dor de cabeça, contaminação do leite materno, entre outros.

 

Energia não é mercadoria

As 600 mulheres que participam do Encontro Nacional das Mulheres Atingidas por Barragens também protestarão em frente ao Ministério de Minas e Energia para a denúncia do atual modelo energético, que explora os trabalhadores com os altos preços da energia elétrica.

“O Ministério de Minas e Energia é o coordenador de todo setor elétrico que, em sua grande maioria, está nas mãos das empresas privadas. Essas empresas, historicamente, tem violado os direitos humanos, negado o direito dos atingidos e precarizado as condições de trabalho, como tem ocorrido com os trabalhadores das usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia”, afirmou Soniamara Maranho, coordenadora nacional do MAB.

 

Elas também irão cobrar o imediato cancelamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e o cumprimento do Decreto assinado pelo então presidente Lula, em outubro de 2010, que cria o cadastro sócio-ambiental dos atingidos por barragens. O encontro nacional das mulheres é organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e acontece desde o dia 4 de abril, no Parque da Cidade, em Brasília.

 

 

Serviço

Marcha contra os agrotóxicos, em defesa do Código Florestal e da Reforma Agrária
Data: Quinta-feira, 7 de abril
Local: A marcha sairá do Parque da Cidade, percorrendo a Esplanada dos Ministérios até chegar ao Congresso Nacional – Brasília, a partir das 7h
Contatos:
Oswaldo Braga de Souza (ISA) – (61) 3035-5104 / 9103-2127 / oswaldo@socioambiental.org
Mayrá Lima (MST): (61) 96846534/mayra@bsb.mst.org.br
Mais informações: https://contraagrotoxicosdf.wordpress.com/

Programação completa da mobilização

06 de abril

Mesas e rodas de diálogo

FUP – UNB – Planaltina
Mesa redonda: “Agrotóxicos – da pesquisa à industrialização e comercialização, saúde e justiça ambiental”
Palestrantes: César Koppe Grisolia (Prof. UNB – autor do livro “agrotóxicos, mutações, câncer e reprodução”) e Fernando Carneiro (Prof. UNB e integrante da Coordenação do Fórum Nacional de Combate aos Impatos dos Agrotóxicos).
Moderadores: Flavio M. Pereira da Costa – professor e coordenador do núcleo de Agroecologia (FUP) e Ricardo T. Neder – Observatório do movimento pela tecnologia social na América Latina.
Horário e Local: 08 horas – Auditório do Campus UnB Planaltina.

IFB – Planaltina
Mesa redonda: “Alimentação Escolar e Agrotóxicos: Os Princípios da Alimentação Saudável e da segurança alimentar”
Palestrantes: Maria Luiza (Coordenadora de Agricultura Familiar – PNAE/FNDE) e Letícia Silva (ANVISA).
Moderadora: Paula Petracco (IfamBiental)
Horário e local: 13:30 às 15:30 horas – Auditório do IFB

UnB – Campus Darcy Ribeiro

Roda de diálogos sobre Agrotóxicos
Palestrantes: Fernando Carneiro (Prof. UNB e assessor da comissão de saúde da Câmara) e Ana Maria Junqueira (Profa. UNB – Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária)
Moderador: Fábio dos Santos Miranda (Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal).
Horário e local: 12:40 às 14:00 horas – Anfiteatro 09

07 de abril

Jornada Contra o Uso de Agrotóxicos,
em defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária – Brasília/DF

Ato Público
Marcha dos trabalhadores em defesa do Código Florestal, contra o Uso de Agrotóxicos e pela Reforma Agrária.
Concentração: 07 horas no ExpoBrasilia (Parque da Cidade) e 09 horas (em frente ao Congresso Nacional).

Audiência Pública
“Agrotóxicos e saúde dos trabalhadores”
Debatedores: Via Campesina, Fórum Brasileiro de Combate aos Efeitos dos Agrotóxicos e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
Local e horário: às 09 horas, Plenário 7, Anexo II, na Câmara dos Deputados

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Sobre miaraguaia

Mineira crescida em Goias com o sangue paraense. Vivendo (e amando viver) no quadradinho do DF. Quero mais viver o mundo.
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